Comportamento

De bem com a comida

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Quando o assunto é emagrecer, muita gente acredita naquela velha história de que é preciso cortar vários alimentos da rotina. Doces e massas, nem pensar! Quantas vezes você já tentou fazer a “dieta da moda”? Low carb, detox, cetogênica, jejum intermitente... você conseguiu manter a perda de peso? E quantas vezes você sofreu com restrições? E se souber que tudo isso que passou para tentar emagrecer pode piorar o quadro? De acordo com a psicóloga Djecica Koepsel Solera, dietas muito restritivas podem provocar o efeito contrário ao desejado.
 
“O corpo humano recebeu uma herança genética de milhares de anos, que o ensinou a fazer reserva de energia. Por isso, quando você priva seu corpo de energia, ou seja, comida, ele passa a fazer reservas por entender que você está sendo ‘atacado’. Essas reservas são o acúmulo de gordura. Além disso, quando há restrição de comida, o cérebro entra em estado de alerta, como se você estivesse em perigo. Para se adaptar, ele gera estresse, o que aumenta a fome”, explica. 
 
Segundo a nutricionista Sophie Deram, autora do livro “O peso das dietas", cerca de 90% a 95% das pessoas que fazem dietas restritivas voltam ao peso inicial ou, ainda, ganham mais peso. Essas agressões ao corpo são o fator biológico das restrições. Existem também os fatores psicológicos envolvidos. Vários estudos mostram que dietas restritivas podem levar a um quadro de compulsão alimentar.
 
“Para entender, imagine que você está em uma dieta low carb. Seu marido te faz uma surpresa com um belo jantar italiano: pratos maravilhosos, massas frescas e molhos. Mas você não pode comer porque está em uma dieta super-restritiva. É muito provável que seu estado emocional, já sob estresse, fique ainda mais afetado por estar diante de tantos alimentos apetitosos que você não ‘pode’ comer. O jantar, que era para ser agradável, se torna uma tortura”, esclarece Djecica.
 
Confraternizações, comemorações e reuniões familiares se dão em torno da mesa, da comida. O próprio ato de cozinhar e comer é um ato de afeto. “Você com certeza consegue se lembrar daquele prato ou quitute da infância. Isso porque a comida traz à tona memórias afetivas e sensações de felicidade. Não comemos apenas por função biológica, como os animais. Comemos também por função social e afetiva. Na medida em que você restringe demais a alimentação, passa a evitar esses encontros. Se fosse você a esposa em uma dieta restritiva a ser surpreendida pelo marido com um jantar italiano, provavelmente encararia a atitude afetuosa como um ataque, algo que geraria conflitos no relacionamento. E se você dá uma escapulida na dieta, o sentimento mais comum depois disso é a culpa”. 

A culpa nos coloca em um estado de ansiedade e tristeza, gerando a chamada fome emocional. Toda essa situação cria um ciclo no qual o ato de comer começa a se tornar algo complicado, sofrido. “Você continua sentindo mais fome e provavelmente ganhará peso. Comer é fonte de prazer e felicidade, assim como beber, estar entre amigos, fazer sexo, compras etc. Se você estabelece uma relação ruim com a comida, na qual a privação está sempre presente, emocionalmente você encara o ato de se alimentar como algo ruim, como algo que deve resultar em punição. Não se trata de comer desenfreadamente, mas de estabelecer uma relação prazerosa com a comida. É possível emagrecer de forma saudável e leve, sem paranoias, sem restrições e de forma definitiva. É importante buscar profissionais adequados, que ajudem nessa jornada. Faça as pazes com a comida”, finaliza a psicóloga. 

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