Comportamento

Diabetes: cirurgia é capaz de controlar doença

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Mais de 16 milhões de brasileiros têm diabetes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com início e desenvolvimento silencioso, a doença mata cerca de 72 mil pessoas por ano no país. O distúrbio é causado pelo mau funcionamento do pâncreas, que não produz a insulina, hormônio que regula a glicose no sangue. É possível controlar a doença com aplicação de doses de insulina e mudança de hábitos, o que costuma ser um grande desafio. No entanto, há outro método: a cirurgia metabólica. Quem explica é Maxley Martins Alves, especialista em cirurgia minimamente invasiva e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.
 
1. Por que a diabetes preocupa tanto?
 

O sofrimento contínuo provocado pela doença resulta em prejuízo social e econômico, como a falta às atividades de lazer, ausência ao trabalho, alterações súbitas da glicemia, tonturas. Lesões de outros órgãos também podem derivar da doença: retina (cegueira), rins (hemodiálise), vasos do coração (infarto), cicatrização difícil e risco de infecções aumentado. Estima-se que existam mais de 400 milhões de diabéticos no mundo, com crescimento exponencial. Mais da metade dos diabéticos não sabe do diagnóstico precocemente, apenas quando já existem lesões secundárias.
 
2. Quando a cirurgia metabólica pode ser feita?
 
O tratamento cirúrgico é instituído por uma equipe multidisciplinar, que continuará o acompanhamento conjunto depois da cirurgia. O procedimento passa a ser uma opção quando, lançando mão da medicação, associada à melhoria da qualidade de vida com dieta balanceada e exercícios, não se atinge o controle glicêmico esperado. Nem todo paciente diabético tem indicação de cirurgia metabólica e bariátrica. Os grandes beneficiários são mesmo os que têm mais peso a perder.
 
3. Como o procedimento é realizado?
 
A cirurgia consiste na retirada de parte do intestino, o que leva a diminuição da absorção dos alimentos e consequente perda de peso. O procedimento é realizado de forma minimamente invasiva, com pequenas cicatrizes pontuais e retorno precoce às atividades de trabalho e físicas.
 
4. Quais são os benefícios da cirurgia?
 
Cientificamente vem sendo demonstrado o controle glicêmico depois do procedimento. A redução da necessidade do uso de medicações de controle e da síndrome metabólica global no organismo é em torno de 80%. A cirurgia metabólica também favorece o controle e tratamento das dislipidemias (colesterol, triglicérides), esteatose hepática (gordura no fígado), hipertensão arterial sistêmica, apneia do sono, dentre outros.
 
5. O procedimento oferece algum tipo de risco?

 
O diabetes consiste em uma doença crônica e progressiva. A cirurgia é muito bem indicada e, quanto mais precoce, melhor para o controle da evolução da patologia. Toda cirurgia tem risco, mas atualmente estima-se que as chances de mortalidade são semelhantes às de uma cirurgia de vesícula biliar, tão conhecida. Riscos de tromboses e embolias são reduzidos por cuidados antes, durante e após a operação. Por ser portador de diabetes, sempre implica em maiores chances de complicações operatórias e pós-operatórias. Mas um pré-operatório com especialistas reduz os riscos aos patamares dos pacientes não diabéticos.

 

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