Comportamento

Educar para a vida

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A escola sempre desenvolveu um papel importante na vida de crianças e jovens. Mas ela também se recicla para caminhar lado a lado diante das necessidades que surgem com o novo século. Quem nunca sonhou em se tornar médico, advogado, veterinário ou até mesmo um astronauta? 

Os primeiros desejos de uma profissão vêm lá da nossa infância, na idade em que ainda não sabemos bem o que é crescer e se tornar adulto. Aos poucos, nossos passos são moldados pela orientação e exemplos que aprendemos na escola, com os primeiros mentores que passam pela nossa vida: os professores. Sim, a escola tem um papel fundamental na formação de jovens e adultos.
 
A educação básica

O objetivo da educação básica é a promoção do desenvolvimento integral do estudante, em todos os aspectos, garantindo os direitos de aprendizagem e desenvolvimento. A escola deve possibilitar que os alunos tenham acesso aos conhecimentos historicamente construídos em todas as áreas, de forma investigativa, reflexiva, crítica e argumentativa, para que eles atuem como cidadãos autônomos e responsáveis.
 
A missão de escolher a instituição de ensino ideal que moldará essa vida estudantil e pessoal do aluno recai sobre pais ou tutores, que precisam ter o mínimo de informações sobre o local e o trabalho pedagógico desenvolvido. No Brasil, um núcleo curricular permeia o trabalho pedagógico de todas as escolas no país, com maiores ou menores semelhanças: a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
 
BNCC

A BNCC é um documento da resolução CNE/CP Nº 2, de 22 dezembro de 2017, que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais das crianças, jovens e adultos no âmbito da educação básica. A resolução aprova e homologa a BNCC para a educação infantil e o ensino fundamental. Já o documento para o ensino médio foi encaminhado ao Conselho Nacional de Educação (CNE) e está em fase de discussão.
 
A coordenadora de Currículo da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte de Goiás (Seduce), Abadia Cunha, ressalta que "ao longo do ensino infantil e fundamental, os estudantes devem desenvolver as dez competências gerais que pretendem assegurar uma formação humana integral que visa a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva”, explica. 
 
Educação infantil e ensino fundamental

De acordo com Abadia, a BNCC da educação infantil se baseia em seis direitos de aprendizagem – conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se – e é organizada por cinco campos de experiências: o eu, o outro e o nós; corpo, gestos e movimentos; traços, sons, cores e formas; escuta, fala, pensamento e imaginação; espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.
 
Já a do ensino fundamental está organizada em cinco áreas do conhecimento: Linguagens (Língua Portuguesa, Artes, Educação Física e Língua Inglesa); Matemática; Ciências da Natureza; Ciências Humanas (Geografia e História); Ensino Religioso (ainda em discussão no MEC). “Cada uma dessas áreas de conhecimento estabelece competências específicas, a serem desenvolvidas ao longo dos nove anos”, acrescenta a coordenadora.

Atividades extracurriculares
 

Em Goiânia existem cerca de 790 escolas. Saber o que é melhor para o seu filho em meio a tantas opções não é uma tarefa fácil. Mas alguns diferenciais devem ser levados em conta, como orienta a pedagoga e especialista em supervisão e administração escolar Ana Cláudia de Rossi. “Os pais devem se informar sobre a execução do projeto político pedagógico de cada escola”, diz.
 
A principal diferença entre uma escola e outra é a possibilidade de aprimoramento do conjunto de ferramentas de desenvolvimento cognitivo. “Ou seja, o que pode ser desenvolvido pelos estudantes em contato com os desafios do mundo real”, reitera a pedagoga.
 
As atividades extracurriculares são também um item de grande importância para o bom desenvolvimento do aluno. “Aulas de robótica e música, por exemplo, ajudam a entender de forma diferente ou complementar a matemática”, destaca Ana Cláudia. A pedagoga defende que, mais do que simplesmente agregar conhecimento ou aprendizado, o contato com a experiência humana por meio de um programa curricular bem orientado, que conecta passado, presente e futuro, potencializa o desenvolvimento de estudantes e os torna mais bem preparados para a vida.
 
Inúmeras opções

Em Goiânia, as opções são diversas, desde as mais tradicionais, como futebol, voleibol, basquete, natação, judô, karatê, capoeira, balé, passando pelo estudo de línguas estrangeiras e artes até as mais atuais, como programação, dança moderna, robótica, culinária, etc. Ana Cláudia fala que o interesse por essas atividades depende muito do movimento de cada família, suas crenças e valores.

Escolas inclusivas

Como parte de um sistema educacional para todos, colégios da capital têm trabalhado de forma sistêmica a inserção de alunos no ambiente escolar. O ensino para esse público específico deve ser individualizado e com uma linguagem diversificada, como avalia a mestre em educação Fabíola. “É preciso entender que o conteúdo vai chegar para cada um de acordo com as suas vivências internas e as necessidades individuais”, diz.

A mestre pontua que, antes de matricular um aluno inclusivo em determinada escola, os pais devem visitar esses locais e conhecer todos que atuam ali. “Durante a visita, deve ser observado da portaria à direção, como os funcionários recebem os alunos, o que essas pessoas têm a dizer sobre a escola, qual a estrutura física e pedagógica”, acrescenta.

Fabíola diz também que as necessidades da família e a forma de trabalhar o relacionamento com o aluno vão definir se a instituição é adequada ou não aos filhos. “A escola precisa investigar junto à família e aos profissionais multidisciplinares qual a necessidade real desse aluno. O objetivo é fazer a criança avançar na sua formação acadêmica e humana.”

A especialista reitera que as universidades e os cursos preparatórios precisam melhorar a sua formação para que as instituições de ensino recebam um profissional mais preparado para a inclusão. “É preciso estudar muito, e a escola deve investir bastante nesse preparo. A inclusão não é feita somente pelo professor responsável pela sala de aula, mas também a partir da recepção da escola à sala da diretora”, avalia.
 
Violência nas escolas 

A discussão sobre a violência nas escolas é ampla e complexa. O professor e especialista em planejamento educacional Rodrigo Melo, acredita que muitos fatores levam a um comportamento violento dentro da sala de aula, como a influência do meio social, os problemas familiares internos e externos, o papel da mídia, as desigualdades sociais.
 
Para o especialista, as prováveis causas do aumento da violência na escola e na sociedade apontam para fatores como comportamentos estigmatizados e disseminados nas redes sociais, bem como para o imediatismo que hoje é imposto aos jovens, os movimentos extremistas de qualquer ordem, assim como a intolerância, a falta de diálogo familiar e no interior da própria escola e o já conhecido bullying, que hoje apresenta-se como a forma de violência mais recorrente no ambiente educacional.
 
O professor defende que é necessário que a escola retome seu papel humanizador, promovendo a mediação, por meio do diálogo aberto e franco, pautado em valores que são sociais e culturais e não pessoais. “É preciso que a escola conheça seus estudantes, que os componentes curriculares tratem de temas como o racismo, o feminicídio, a intolerância de gênero, de raça, religião e outras.”
 
Além disso, de acordo com Rodrigo, toda instituição educacional precisa assumir a responsabilidade que lhe cabe e determinar com firmeza os procedimentos e programas de prevenção ao bullying a serem adotados. “A escola não pode se limitar a intervenções pontuais, ela precisa colocar o fenômeno como uma das transgressões mais graves à criação do clima de respeito à individualidade e solidariedade, à paz social e à convivência saudável na escola”, avalia.

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