Comportamento

“Goiânia cresce para todos os lados”

Cristina Dourado

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população estimada de Goiânia em 2016 era de quase 1,5 milhão de pessoas. Uma cidade que, em sua origem, foi planejada para 50 mil habitantes. Goiânia cresce para todos os lados. Quando se fala nas classes A e B, há crescimento vertical – os prédios, especialmente nas regiões Sul e Oeste – e horizontal, com as casas de condomínio fechado na região Leste na saída da GO-020 até Senador Canedo.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU/GO), Arnaldo Mascarenhas Braga, explica que existe uma densidade média desejável de 300 habitantes por hectare, mas em Goiânia o crescimento não é uniforme. “Não tem um raciocínio de planejamento e de uso compatível do solo. O que a gente percebe são discrepâncias em termos de ocupação”, alerta. 

Nesse contexto, a mobilidade urbana é um grande desafio. “As medidas tomadas são pontuais. Nós temos uma população que sofre em terminais. Há trinta anos, é assim e só são tomadas medidas paliativas. As vias se esgotam.” A acessibilidade também entra na questão da mobilidade. “Grandes esforços são feitos nesse sentido em parceria entre CAU, Ministério Público e prefeitura, mas ainda sem tanto sucesso.” A drenagem também é um problema sério, tanto nos prédios construídos sobre cursos d’água quanto nas ruas da cidade, aponta o presidente do Conselho de Arquitetura. “Um exemplo disso é a Marginal Botafogo, que está com problemas por conta da drenagem.”

Com tantos impactos urbanísticos, a recomendação do presidente do CAU-GO é que, antes de procurar um imóvel para comprar ou investir, é interessante ouvir um arquiteto. “É como uma assessoria que vai orientar questões de acessibilidade, mobilidade e infraestrutura.” Outro momento delicado em que a figura do arquiteto faz diferença é a hora da vistoria. “O imóvel precisa ser entregue respeitando o contrato, os equipamentos e acabamentos acordados. Um arquiteto tem condições para chegar à Norma de Desempenho das Edificações, que é uma determinação com critérios para conforto, isolamento acústico, energização entre outros itens. Caso a construtora não obedeça, será penalizada.”

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