Comportamento

Hanseníase: Brasil é o segundo no ranking mundial da doença

Shutterstock


A hanseníase é uma doença infectocontagiosa provocada pela bactéria Mycobacteruim leprae (bacilo de Hansen), que afeta principalmente a pele e os nervos, causando manchas e alterações de sensibilidade. Segundo a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), o Brasil é o segundo no ranking mundial da doença, registrando cerca de 30 mil casos por ano.
 
Conforme a dermatologista Renata Sitonio, da Clínica Sitonio, os primeiros sintomas podem levar anos para aparecer e começam pelas alterações neurológicas. "São elas, perda de sensibilidade ao calor ou dor, formigamento, perda da força muscular ou alteração nas articulações e na pele podem aparecer nódulos e manchas, além de perda dos cabelos e sobrancelhas", explica.
 
Para a especialista, é importante que a doença seja detectada rapidamente, pois a evolução da patologia pode implicar deformidades e mutilações, que tanto contribuem para a estigmatização da doença. “O preconceito devido à desinformação não pode começar pelo próprio paciente. A hanseníase tem cura e, após iniciado o tratamento, não há mais transmissão”, afirma.

Ainda de acordo com Renata, o quadro do doente sem tratamento é mais preocupante, pois ele pode transmitir o bacilo pelas vias respiratórias por meio de tosse, espirro, gotículas de saliva.  A dermatologista alerta que o maior risco de contágio ainda se dá pelo convívio domiciliar com o enfermo sem tratamento, o que reforça a importância do diagnóstico.

“Menos de 50% dos casos são identificados por exames de laboratório. Os exames clínicos feitos pelo médico dermatologista ou neurologista são mais importantes, como o de reação em cadeia da Polimerase e sorologia, além de exames como bacterioscopia e biópsia, que coletam material da pele para serem examinados no microscópio”, explica.

Tratamento

O tratamento para a hanseníase é baseado em antibióticos e pode levar de seis meses a um ano. e, mesmo que haja melhora dos sintomas, o paciente não pode interrompê-lo, pois isso pode levar a resistência bacteriana. Ainda é possível que, mesmo curado, o paciente continue sofrendo com problemas neurológicos, algo que ocorre em pelo menos 20% dos casos. 
 
Para a dermatologista, o estigma social se dá pela desinformação e pela disseminação de falsas ideias. Ela explica que o paciente em tratamento pode sim conviver em sociedade e deve conhecer seus direitos. Outro ponto é que a maioria da população é resistente à infecção, ou seja, adquire o bacilo, mas aborta a infecção e não desenvolve a doença.

“A ideia de que manchas são o principal sintoma da doença também é um mito, as alterações neurológicas vêm primeiro. É verdade a informação de que os familiares que convivem com o paciente também devem ser examinados. É mito a ideia de que a transmissão se dá por qualquer tipo de contato. É verdadeira a informação de que, mesmo após curado, o paciente deve seguir com acompanhamento médico por, no mínimo, 10 anos”, esclarece.
 

Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.