Comportamento

Independência nos primeiros passos

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Esses foram alguns dos fatores positivos observados pela professora universitária Júlia Mariano após o início da vida escolar de suas filhas. Funcionária pública, a docente precisou abrir mão do convívio integral com as pequenas e as matriculou na educação infantil antes do segundo ano de vida. Alice, hoje com 3 anos, teve sua primeira experiência escolar aos 9 meses. Já a caçula, Maitê, deu início aos primeiros passos na escola com 1 ano e 7 meses.

A mãe das meninas relata que antes dos 2 anos elas já falavam de forma a ser entendidas por toda a família. O processo de desfralde foi outra fase positiva. Devido à convivência com as demais crianças na escola, a filha mais velha não teve dificuldades para tirar de vez a fralda. A mais nova, hoje com 2 anos, já aponta os primeiros sinais de que também não dará trabalho.

Para Júlia, de maneira geral, o desenvolvimento é muito positivo. “As crianças começam a lidar com outras pessoas e a enfrentar desafios diários. Isso melhora a socialização e se reflete diretamente na conquista da independência”, explica a mãe, acrescentando que Alice e Maitê já conseguem comer e tomar banho sozinhas, além de resolver pequenos conflitos com os colegas.

Hora certa

A doutora em psicologia e especialista em psicologia escolar Alba Cristhiane Santana afirma que a decisão de colocar a criança na escola logo nos primeiros anos de vida deve ser avaliada pelos pais considerando a rotina da família e as condições do filho, principalmente em relação à saúde. “É necessário ponderar que, ao ampliar o contexto de convivência da criança, ela poderá ficar mais suscetível a contrair algumas doenças por contágio. Por isso é importante observar bem e acompanhar o ambiente escolar, conhecer os professores e os coleguinhas.”

Optar pela instituição de ensino, de acordo com a psicóloga, pode contribuir com os processos de desenvolvimento social, cognitivo e interpessoal da criança. “A escola proporciona diferentes estímulos para o desenvolvimento cognitivo da criança, inclusive o desenvolvimento da linguagem e do emocional”, explica Alba.
A adaptação na escolinha depende muito da preparação da família para a nova fase. Alba orienta que os pais conversem com a criança, criem um clima de confiança e de segurança em relação ao ambiente escolar e levem os filhos antes para conhecer e se familiarizar com o ambiente e com as pessoas. “É importante motivá-los para as diferentes atividades que são realizadas na escola e para as boas experiências que eles terão”, diz.

A primeira infância na escola

O professor Alexandre Umbelino acredita que colocar as crianças logo cedo na escola favorece a interação social e o processo de autonomia. “Não há um movimento a favor da escolarização precoce, mas sim a real necessidade de trabalhar a integração sensorial, assegurando um desenvolvimento adequado na primeira infância”, avalia.

O especialista pontua que as crianças estão chegando à escola com excesso de estímulo visual e sonoro, e extremamente ligadas às inovações tecnológicas. “A instituição de ensino comprometida tem buscado oferecer um ambiente que traga de volta a infância, o tempo de brincar, de ouvir histórias, de conversar e rir, trocar informações, entrar em contato com o outro e com a natureza, cantar, brincar de roda, interagir”, afirma.

Contudo, ele argumenta que as escolas também trazem a tecnologia, mas a reinventam na interação com o outro, além dos componentes curriculares assegurados pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O professor Alexandre orienta, ainda, que na hora de escolher uma escola para os pequenos, a melhor opção é aquela que se alinhe com os valores e ideais da família. “Um bom direcionamento é verificar se a proposta político-pedagógica da instituição está em acordo com os anseios e crenças familiares”, conclui.

 

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