Comportamento

Intercâmbio: hora de embarcar

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Para muitos jovens, ingressar em uma faculdade está no topo da lista de objetivos ao terminarem o ensino médio, mas essa corrida para começar uma graduação pode esperar um pouco. Um hábito que tem se tornado bastante comum entre brasileiros é tirar um tempo ‘livre’ entre a saída da escola e o ingresso na universidade, para viajar ou fazer um trabalho voluntário.
 
A gerente de produtos de uma agência de intercâmbios, Fabiana Fernandes, aponta algumas vantagens dessa prática e ajuda a responder questões sobre como e por que fazer esse tipo de investimento:
 
Quanto tempo dura, em média, um intercâmbio?

Esse tempo entre o ensino médio e a universidade pode ser de seis meses, um ano ou o tempo necessário para a pessoa ampliar sua visão de mundo. Ela pode fazer um intercâmbio curto seguido por um mochilão, por exemplo. É só definir os países e planejar a viagem dentro dos objetivos propostos.
 
Qual é o verdadeiro objetivo?

O ponto principal de tirar esse tempo antes de ingressar na universidade é fazer com que o estudante tenha um crescimento pessoal. E para que isso aconteça, muitas vezes, é necessário sair da zona de conforto. Fazer um intercâmbio ajuda a escapar da rotina, que pode acabar limitando as escolhas do estudante. É a hora de explorar habilidades que ele não sabia ter.
 
E quais são as opções?

Uma opção de intercâmbio que ajuda a pessoa a se conhecer melhor é o High School – cursar parte do ensino médio no exterior, mesmo após o término do mesmo no Brasil. Por causa da variedade e flexibilidade da grade curricular, o estudante vai poder escolher disciplinas que despertam interesses em novas áreas de atuação. E por já ter encerrado a educação básica no Brasil, não vai precisar incluir as matérias que são obrigatórias para validar o estudo no exterior. Assim, ele fica livre para testar aulas diferentes, como business, teatro, música, mecânica, entre outras.
 
Vale a pena pelo tão sonhado segundo idioma?

Sim! O intercâmbio é uma excelente oportunidade para aprender ou desenvolver a fluência em um segundo idioma. Hoje em dia, dominar outra língua, ou até mesmo um terceiro idioma, é uma das principais qualificações profissionais do currículo. O intercâmbio ajuda a ganhar essa qualidade na prática, seja ao trabalhar no Canadá, servir como voluntário na Tailândia, em um curso na Austrália, um High School no Reino Unido ou um mochilão pelo Peru.
 
E qual é o retorno?

Os estudantes que passam por essa experiência amadurecem mais rápido, além de serem mais focados e seguros em relação à carreira que terão no futuro. Eles também apresentam maior satisfação pessoal e profissional do que os colegas que ingressam direto no mundo acadêmico. Entrar em uma universidade demanda muito tempo e esforço do aluno e define o que será feito na vida adulta. A pausa entre o ensino médio e a faculdade é um bom momento para recarregar as forças e ajudar na escolha de qual carreira seguir.
 
Intercâmbio 50+

Aumento na longevidade cria novos mercados
 
O que você pensa quando ouve ou lê a palavra intercâmbio? Certamente, a imagem que vem à cabeça é a de jovens multiétnicos com as suas mochilas em algum belo cenário europeu, norte-americano ou da Oceania. Uma outra realidade, no entanto, tem conquistado espaço nesses segmento: o intercâmbio de pessoas com mais de 50 anos, seja em programas regulares, com estudantes com faixas etárias variadas, ou programas específicos para esse perfil de público, desenvolvidos com experiências adicionais, além do tradicional curso de idioma.
 
Comum e praticado em diversos países da Europa, o intercâmbio após os 50 recebe cada vez mais atenção do público brasileiro, como consequência do aumento da expectativa de vida por aqui. Outro elemento importante é o perfil dos novos cinquentões: joviais e apreciadores de viagens, práticas esportivas e da descoberta de novos ambientes e experiências.
 
Os números não mentem

Como revelou recentemente uma pesquisa do Instituto Locomotiva, o Brasil tem mais de 54 milhões de pessoas nessa idade ou acima dela, número que irá crescer ao longo dos próximos anos, chegando a mais de 90 milhões em 2045. Eles movimentam mais de R$ 1,6 trilhão anualmente e apresentam uma renda 40% acima da média nacional. Ou seja, um mercado com potencial e tanto para o segmento de intercâmbio.
 
Por mais conhecimento

Em muitos casos, já com a família estruturada e tempo livre, esse público quer, além de viajar, agregar conhecimento. Reforçar o contato com determinado idioma, até para aproveitá-lo melhor em outras viagens, é um dos principais motivos. O intercambista de um curso de italiano – um dos mais requisitados – pode estudar pela manhã e à tarde fazer degustação de vinhos ou aprender sobre moda. Quem estuda inglês pode, à tarde, conhecer os melhores pontos turísticos da cidade escolhida e ter aulas de arte, música ou culinária. Ficou com vontade? Agora só falta embarcar!

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