Comportamento

Meu esporte, minha vida

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Há quatro anos, a chefe do núcleo digital do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), Sarah Mohn, 32, descobriu uma maneira de descarregar o estresse do dia a dia: o Muay Thai. Assim, bem ao acaso, a tentativa de retomar a prática de exercícios físicos, herdada na infância, mostrou ser um benefício além do esperado: uma forma eficaz de promover o equilíbrio psicológico.
Esse foi o primeiro passo rumo à grande jornada que iniciou em sua vida esportiva adulta. Um ano depois de ter começado a lutar, a goiana descobriu, ao lado do companheiro, a paixão pela corrida. Desde então, ela tem adicionado quilômetros a mais à rotina diária e um novo fôlego para vencer as adversidades da vida.

Determinação

Sarah acorda diariamente às 5h e segue, seis vezes por semana, uma programação preestabelecida de exercícios. A disciplina de encontrar tempo e disposição dentro de uma agenda apertada tem um objetivo: tornar-se uma triatleta. “O domingo é o meu day off”, conta. Na rotina semanal estão incluídos quatro treinos de corrida, dois de natação, dois de pedal e mais dois de musculação. Tudo isso conciliado com as demais atividades no MP-GO, namoro, amigos, família e, não menos importante, com o descanso.

“Nunca imaginei que o esporte ocuparia uma parte tão importante de minha vida. Mas hoje vejo a prática esportiva como uma aliada do meu bem-estar físico e mental. É aquele momento do dia em que não penso em problemas e consigo relaxar”, explica.       
Ao invés de ser uma sobrecarga na rotina de Sarah, a prática esportiva rendeu uma dose extra de disposição para encarar as obrigações do dia a dia e, de quebra, ainda fez com que ela adotasse de maneira natural uma alimentação saudável, focada nos nutrientes necessários para o fornecimento de energia.

Refletindo sobre os ganhos desse novo estilo de vida, a atleta amadora destaca as amizades que foram se apresentando ao longo do caminho, assim como os novos desafios propostos a cada prova que se inscreve. De acordo com ela, além de superar os limites pessoais, cada corrida proporciona um cenário diferente a ser contemplado. Já foram percursos no Rio de Janeiro, Brasília, Portugal e agora a goiana se prepara para correr pelas ruas de Berlim, na Alemanha. “Minha prova mais desafiadora foi a primeira maratona, na qual eu corri 42 quilômetros. Foram 3 horas e 3 minutos. Só quem vive essa experiência sabe o quanto isso é especial”, orgulha-se.

Protetor solar e blush

Para Sarah Mohn, o que não pode faltar na bolsa de uma atleta é: protetor solar, desodorante e blush. “Mesmo para ambientes fechados, sempre uso o protetor solar para evitar os efeitos nocivos da luz artificial”, alerta. E o blush ela indica como reforço adicional, bem feminino, para aquelas horas em que o cansaço está estampado no rosto. “Nada como uma corzinha a mais para dar aquele upgrade na expressão.”

Motivação para viver sempre

Se existe alguém que personifique a palavra superação, essa pessoa atende pelo nome de Jane Karla Rodrigues Gogel. A atleta paralímpica, hoje com 43 anos, começou a luta ainda na infância, ao encarar a poliomielite e ter os movimentos das pernas comprometidos; e seguiu na fase adulta, após o diagnóstico de câncer de mama. Como se não bastassem as batalhas travadas no âmbito da saúde, Jane e a família sobreviveram, em 2016, a um assalto à mão armada, ocasião em que foram mantidos reféns dentro da própria casa em Goiânia. A experiência motivou, recentemente, o clã a escolher Portugal como novo lar, país que tem permitido à atleta estar mais perto das competições realizadas na Europa e dar prosseguimento à profissionalização no esporte de alto rendimento.

Amor ao esporte

Sem se prender à limitação dos movimentos, Jane pôde descobrir o quanto o esporte moldaria sua vida em definitivo. No ano de 2003, ela se surpreendeu com as habilidades no tênis de mesa ao frequentar a Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás (Adfego). Já no primeiro momento o contato com a raquete se mostrou mais do que um hobby, apresentando-se como um talento nato.

Desse momento em diante, foram 12 anos dedicados à prática da modalidade, com treinos e participações em competições nacionais e internacionais, nas quais Jane foi consagrada por 11 vezes campeã brasileira e em outras quatro campeã parapanamericana. Ela também disputou como mesatenista os Jogos Paralímpicos de Pequim 2008 e Londres 2012, conquistando o quinto lugar nas duas edições. A última grande competição no tênis de mesa foi o Mundial da China, em 2014, terminando com a medalha de bronze.

Mudança de perspectiva

No final de 2014, Jane Karla tomou uma decisão de cunho pessoal que mudou o rumo de sua carreira como esportista. Mesmo com a vaga para o Parapan de Toronto 2015 assegurada, ela abandonou o tênis de mesa ao perceber que o ciclo de preparação exigiria que ela passasse a treinar em São Paulo, longe da família. “Naquele momento eu já tinha enfrentado a perda recente de minha mãe para o câncer, e não achei justo impor mais esse sofrimento, que seria a distância, para a minha família”, recorda.

Foi então que, imbuída de novo fôlego e coragem, a atleta partiu em busca de uma modalidade que pudesse praticar estando perto do marido e do casal de filhos. Mais uma vez se deparou com sua habilidade para o esporte, mirou e acertou o alvo. A modalidade? Tiro com arco.

Sem perder tempo, a arqueira conseguiu recuperar a vaga para disputar o Parapan de Toronto e, com todo o instinto esportista competitivo, sagrou-se campeã, feito histórico para o Brasil na modalidade. A medalha de ouro em Toronto garantiu vaga para os Jogos Paralímpicos Rio 2016. Em casa, a brasileira foi eliminada nas quartas de final ao perder para a chinesa Yueshan Lin. Mas Jane parecia saber que o futuro reservaria dias ainda melhores.

Primeira do ranking

Assim como no tênis de mesa, a trajetória da goiana na arquearia está sendo permeada por grandes resultados. Prova disso é que atualmente ela ocupa o primeiro lugar no ranking brasileiro paralímpico e a segunda posição no ranking mundial paralímpico. “O esporte mudou minha vida e me ensinou a lutar em busca dos meus sonhos. Me ajudou a superar minha deficiência e também a vencer o câncer. A vida que tenho agora é graças ao esporte e a Deus, que me fez enxergar minha trajetória com outros olhos”, conclui a atleta, que treina entre seis e oito horas diárias.

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