Comportamento

Mulheres empreendem mais que homens, mas são menos reconhecidas

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Nos últimos dois anos, as mulheres tornaram-se maioria entre os novos empreendedores do país. Elas somam cerca de 14,2 milhões dos empresários envolvidos na estruturação ou na manutenção de um negócio de até 3,5 anos. Isso significa que 51,6% do total desse perfil é feminino, segundo o estudo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2017, feito em parceria com o Sebrae. Mas essa evidente evolução no empreendedorismo feminino ainda esbarra nas mesmas dificuldades de gênero comuns no Brasil, como menor remuneração e oportunidades.

As mulheres empreendedoras ainda recebem monetariamente menos que os homens (78% delas ganham até três salários mínimos contra 61% dos homens). Quase metade delas (47%) empreendem por necessidade, por ausência de alternativas de ocupação e renda (contra 34% deles). 

Na escola de empreendedorismo Sempreende, de Goiânia, são as mulheres as que mais procuram por qualificação. Elas somam cerca de 75% dos alunos, conforme a diretora Luciana Padovez, também professora especialista em empreendedorismo. Luciana relata que os perfis mais comuns são de mulheres que já têm a própria empresa ou estão em transição de carreira. Assim, empreender é visto como forma de flexibilizar os horários e a saída de um mercado, que ainda paga menos às funcionárias e é preconceituoso com aquelas que são mães.

“É importante lembrar que, principalmente no começo, a carga de trabalho de um empreendedor é muito grande. Não é suficiente trabalhar apenas no horário comercial e isso pesa muito mais para as mulheres do que para os homens, pois se espera delas uma preocupação maior com a família do que com a profissão”, alerta a especialista.

Conforme Luciana, o pressuposto de que a mulher não pode ou não consegue se dedicar ao negócio afeta até na busca de empréstimos em bancos ou investimentos. Outra dificuldade bastante relatada é a insegurança de se impor perante os funcionários homens, o que as leva a contratar mais mulheres.

Um problema também habitual é o fato de as mulheres precisarem se esforçar mais para mostrar a seriedade dos seus trabalhos. Foi o que passou a cofundadora e diretora criativa da Pagú Propaganda, Sussy Côrtes. “Como funcionária eu era tímida, usava roupas largas e quase nenhuma maquiagem por um medo de que qualquer coisa aparecesse mais que meu talento. Como dona esse receio era ainda maior. Eu sabia que eu tinha que provar muita coisa. Então, me dediquei ao máximo para deixar meu trabalho falar sempre mais alto”.

Ela criou a agência um após a formatura em publicidade e propaganda. Hoje, a Pagú é considerada uma das maiores do ramo em Goiânia.

Alternativas

Trocar experiências com outras empreendedoras, contudo, é um meio de aliviar esses receios. “Buscar uma rede de apoio para conversar, tanto sobre situações profissionais, quanto pessoais, é muito importante. Também é preciso trabalhar o autoconhecimento, entender suas fraquezas, forças, como lidar com pessoas difíceis e confiar no seu potencial”, aconselha a professora Luciana. 

Empreendedoras brasileiras

Em 2016, a Rede Mulher Empreendedora traçou um perfil das brasileiras que decidiram começar os próprios negócios. Elas têm em média 39 anos, um filho, são casadas, possuem Ensino Superior Completo e experiência no mercado corporativo. 59% atuam no ramo de serviços e 31% no comércio.

 

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