Comportamento

Mulheres que traem

Shutterstock


Há décadas era corriqueiro os maridos terem casos fora do casamento. Alguns chegavam a constituir uma família paralela. Havia situações em que as esposas tinham conhecimento dessas aventuras amorosas. Parte delas até tolerava e seguia a vida matrimonial. Mas, os tempos mudaram. Hoje a mulher quer mais do que um homem ao lado. 
 
É certo que o tema é delicado, mas esqueça os clichês sobre traição. Se você esteve em dois ou mais relacionamentos sérios com mulheres, a chance de ter sido traído em alguma ocasião é alta. Isso porque, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, 56,4% das mulheres disseram já terem traído seus parceiros. E, a cada ano, esse número vem aumentando. Um levantamento da Fundação Perseu Abramo/Sesc mostra que a quantidade de brasileiras que admitiram terem “pulado a cerca” pelo menos uma vez na vida quase dobrou em dez anos.
 
Em busca de prazer

No best-seller “Por Que Homens e Mulheres Traem?”, a antropóloga Mirian Goldenberg afirma que "hoje as mulheres querem mais de um relacionamento e têm mais liberdade de escolha afetiva e sexual". E sexo é exatamente o que motiva Emily* a trair. “Digamos que meu instinto carnal fala bem alto. E, além disso, acredito que traio pelo ego. Pelo gosto de saber que sou desejada, saber que vou matar essa sede, o desejo de alguém”, diz a jovem de 25 anos. Emily já viveu um longo relacionamento e, mesmo acreditando amar o namorado, se envolveu com outras pessoas.
 
“Isso faz parte de mim. Não sei se um dia vou conseguir ser fiel. Na verdade, acredito que a fidelidade é muito mais que isso. É mais que uma noite de sexo ou um beijo. Para ser fiel mesmo tem que começar pelo coração. A maioria das mulheres trai por amar outra pessoa ou pela decepção com a atual. E homem trai pela oportunidade surgida. Mas eu sou um caso indesvendável. Preciso me sentir desejada, cobiçada, almejada. E mais que isso, preciso saber que matei essa cobiça do outro. Mas isso é algo para mim. Eu nunca me senti preparada para ser fiel. Não sei se não encontrei a pessoa certa ou se esse realmente é meu jeito”, diz Emily.
 
Luíza*, 32, também acredita que o desejo sexual pode ser definitivo para a traição. “Mulher não trai só por afeto. Ela trai também por sexo. O que fazer quando você ama a pessoa, mas ela não é boa de cama?”, questiona. Luíza está em um relacionamento sério há três anos, mas há pelo menos dois se encontra com outros homens. “Meu namorado é ótimo. Ele é carinhoso e me ajuda em tudo que eu preciso. Só é um pouco ciumento. Mas na cama não é tudo aquilo, sabe? Parece que sempre fica faltando. Eu tentei por um tempo, mas ficava ‘subindo pelas paredes’. Eu o amo mesmo, mas tenho desejos que preciso satisfazer”, afirma.
 
Chifres trocados

A vingança também é vista como uma grande motivadora para que as mulheres procurem outros homens. Cintia*, 23 anos, seguiu essa cartilha, mas afirma que esse foi apenas o pontapé. Após dois anos de namoro, ela descobriu que o parceiro se encontrava com outras. “Todo mundo sabia”, conta. Assim, a primeira reação da jovem foi ceder às investidas de um colega de classe. “Na hora me deu tanta raiva que eu só pensei em dar o troco. E olha que eu nem estava apaixonada”. Mas a pulada de cerca não foi passageira. “Falamos que traímos por vingança porque sabemos que é mais aceitável do que assumir uma atração física por outro. É uma desculpa. Nossa sociedade não aceita que as mulheres tenham o desejo de ter mais de um homem. Eu tenho e percebi isso quando traí. Admito que continuo traindo”, diz.
 
Camila* também traiu pela primeira vez após descobrir um envolvimento do marido com outra mulher. Aos 28 anos, ela continua casada e diz que a traição foi um caminho sem volta. “Eu traí e aquilo me fez ver que ainda queria meu casamento. Mas eu também queria aquilo que estava tendo ali, que senti com liberdade sexual. Estamos cada vez mais expostas às tentações. As redes sociais são isso. A nossa espécie é pouco monogâmica. Quanto mais curiosas somos, mais propensas estamos à infidelidade”.
 
Em nome do amor

A carência afetiva é outra justificativa frequente para a traição. Por não se sentirem amadas o suficiente pelos namorados ou maridos, algumas mulheres se relacionam com pessoas que as tratam da forma como desejam. “Fiquei grávida e meu marido, que também me traía, me deixou de lado por um tempo. Eu estava extremamente carente e um colega de trabalho me tratava da melhor forma possível. Sentia-me atraída por ele. Foi uma paixão louca. Me senti bonita e desejada de novo, com mais vida”, conta Denise*, de 45 anos. Apesar de o marido ter descoberto o romance, ela permanece com o companheiro. “Fizemos terapia de casal. Ele continua a ter casos, mas nunca mais foi frio comigo. Eu continuo a ter os meus também. De certa forma, acredito que isso ajuda o nosso relacionamento”.
 
Amanda* compartilha essa mesma crença. Em um relacionamento há sete anos, a jovem acredita que sair com outros homens ajuda a manter o namoro. “Estamos juntos há muito tempo. E eu sei que a gente se ama. Queremos o relacionamento. Mas, com os anos, a intimidade, a rotina, tudo começa a ficar mais do mesmo, sabe? Tentamos muita coisa. Mas gente nova ajuda. Não sei se ele compartilha dessa opinião, afinal ele não sabe. Mas estive muito perto de deixá-lo antes de traí-lo pela primeira vez”, conta.
 
A mulher de 24 anos acredita que a traição tem mais a ver com o físico do que com os sentimentos. “Eu já senti carinho pelos homens com quem me envolvi. Mas não é amor. É algo físico. Faz me sentir bem. É diferente do sentimento que tenho pelo meu namorado. Mas isso tudo ajuda a não me deixar levar pela rotina”, explica.
 
Mais independência

A terapeuta de casais Fabíola Sperandio afirma que a traição feminina acontece, principalmente, porque "a mulher atual não aceita mais qualquer trato. Com a independência, as mulheres estão menos tolerantes a algumas situações que ocorriam antes, como autoritarismo, machismo, falta de delicadeza etc. Muitas vezes elas não querem perder a família, mas buscam uma satisfação pessoal fora da relação", diz.
 
A especialista ressalta que é muito comum mulheres continuarem traindo, mesmo permanecendo no relacionamento. "Algumas têm um amante único por anos e outras variam. A maioria relata a 'escapada' por insatisfação pela forma como são tratadas no dia a dia e na hora de fazer amor. Algumas dizem que se cansaram de dar dicas aos maridos e que eles não reagiram. Então, sentem-se autorizadas a buscar satisfação. Já atendi mulheres que tentaram tudo para reerguer a relação, como encontros de casais e grupo de apoio às famílias. Mas se sentiram tentando sozinhas e desistiram", conta.
 
A satisfação sexual também é muito importante, segundo Fabíola. "Outro aspecto que leva à traição é o conhecimento sobre a vida sexual. Com a leitura, troca de experiências com as amigas, as mulheres não estão aceitando mais o sexo só como o marido quer, um sexo egoísta. Então, buscam no amante o encanto das preliminares e a dedicação ao carinho. As exigências de hoje são diferentes", diz.
 
Uma vez para nunca mais

Apesar do crescente número de traições, na maioria das vezes, trair pode trazer grandes prejuízos, principalmente quando há uma família envolvida. "A tentação está aí para todos, não adianta se enganar. E eu caí. Mas não tenho vontade de voltar a me permitir algo assim. Sei que perderia muita coisa", diz Joana*. A mulher de 48 anos vive um casamento de 20. Ela acredita que, mais do que o parceiro, os filhos do casal seriam os grandes prejudicados. "Sei que trair não significa que não estou em um casamento feliz. Pode ser apenas algo carnal. Mas acredito que tenho que mostrar para eles, meus filhos, que é possível manter o relacionamento forte", diz.
 
O arrependimento da traição é uma consequência comum. "Ele acontece com algumas mulheres. Elas chegam a prometer para si mesmas que aquilo nunca mais vai ocorrer e até decidem pela separação. Algumas se sentem mal, pois acreditam ter traído a própria escolha, que é estar casada ou em um relacionamento sério. Já outras só se arrependem quando a 'pulada de cerca' começa a ficar sem graça, mas repetem a 'escapada' na primeira oportunidade", explica Fabíola Sperandio.
 
*Nomes fictícios a pedido das entrevistadas
 
Três fatos sobre a traição
 
1. Quem depende financeiramente do parceiro tem mais chances de trair

A Associação Americana de Sociologia realizou uma pesquisa com pessoas entre 18 e 32 anos, na qual constatou-se que aquelas que dependem financeiramente do parceiro têm mais chances de traí-lo. Esse índice é maior entre os homens dependentes (15% de traições) do que entre mulheres dependentes (5%). Outro dado é que, se ambos tiverem um salário compatível, as chances de traição diminuem.
 
2. As pessoas não se sentem culpadas

Cerca de 71% dos entrevistados de uma recente pesquisa do site Victoria Milan – portal voltado para quem deseja “pular a cerca”, reconhecem que a traição não é uma prática honesta. No entanto, dois terços das pessoas que já traíram declararam que não se sentem arrependidas.
 
3. Aniversários marcantes aumentam a chance de trair

Um estudo feito pelo site Ashley Madison, um dos maiores do mundo voltado para quem deseja trair, mostrou que as pessoas costumam reavaliar as escolhas quando chegam perto de aniversários marcantes, como os 30, os 40 ou os 50 anos. Imediatamente no ano anterior, existe uma maior incidência de casos de traição.
 
Traição pública

Celebridades sempre estiveram relacionadas à traição. Veja alguns casos de gente famosa que se tornaram conhecidos
 
Deborah Secco

A atriz Deborah Secco revelou que já "pulou a cerca" várias vezes. De acordo com ela, todos os ex-namorados e maridos antes de Hugo Moura foram vítimas. "Dependendo do contexto, eu perdoo [uma traição]. A gente não pode cobrar o que a gente não dá. Já traí todos com que me relacionei, menos o Hugo", disse ela.
 
Whoopi Goldberg

A famosa atriz não era casada quando teve um caso com o ator casado Ted Danson nos anos 1990. E a comediante já admitiu ter traído os maridos pelo menos cinco ou seis vezes.
 
Luana Piovani

Recentemente, Luana Piovani divulgou um vídeo em que afirma ter traído Rodrigo Santoro quando os dois namoravam. "Já trai e já fui traída. A minha traição foi pública e notória, e o meu 'corno' também. Tenho muita dificuldade em lidar com a culpa", disse.
 
Kristen Stewart

A Bella da saga "Crepúsculo" não teve nem como negar a traição. Kristen foi fotografada com o diretor do filme "Branca de Neve e O Caçador", Rupert Sanders, enquanto namorava Robert Pattinson. Posteriormente, a atriz assumiu a infidelidade.
 
Madonna

A rainha do pop nunca assumiu realmente. Mas os rumores são de que ela traiu o então marido Sean Penn com John F. Kennedy Jr. Além disso, dizem que ela repetiu a pulada de cerca quando traiu o último marido, Guy Ritchie, com o jogador Alex Rodriguez.
 
Elizabeth Taylor

A atriz teve uma vida amorosa para lá de conturbada. O caso mais famoso, no entanto, foi durante as filmagens de 'Cleópatra' (1963), quando ela e Richard Burton, colega de elenco que também era comprometido, começaram um affair. Eles se divorciaram dos respectivos companheiros e se casaram. Depois, se divorciaram, voltaram e se separaram inúmeras vezes.

 

Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.