Comportamento

Novembro Azul: prevenir ainda é o melhor remédio

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No Brasil, aproximadamente 15 mil homens morrem por ano em decorrência do câncer de próstata. Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) mostram que, ao mês, são cerca de 1250 mortes. Para o Brasil, estimam-se 68,2 mil novos casos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Ainda de acordo com o Inca, esse tipo de câncer é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma) no País. Em valores absolutos e considerando ambos os sexos, é o quarto tipo mais comum.
 
Neste mês é realizada a campanha de conscientização Novembro Azul, que tem como objetivo debater sobre os cuidados com as doenças masculinas, com destaque para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata.
 
A doença


Presidente da Associação dos Hospitais do Estado de Goiás e secretário geral da Federação Brasileira de Hospitais, o urologista Adelvânio Morato explica que o câncer de próstata é muito comum em homens, especialmente após os 50 anos. De modo geral, o tumor cresce lentamente e, na maioria das vezes, não manifesta nenhum sintoma na fase inicial. 
O especialista pontua que, dependendo do estágio da doença, há grandes chances de cura. “Quando descoberto na fase inicial, a chance é ainda maior. Isso mostra que a prevenção é o melhor tratamento para o câncer de próstata”, enfatiza. O urologista orienta que a partir dos 40 anos os homens já iniciem os exames preventivos. “As prevenções devem ser feitas a cada seis meses”, complementa.
 
Sintomas
 
Na fase mais avançada, a doença pode manifestar sintomas como dor, ardor e dificuldades ao urinar, sensação de bexiga cheia o tempo inteiro, urina escura e, às vezes, com sangramento. O homem também pode sentir dor ao ejacular e o sêmen sai escuro e/ou com sangue. “Quando o câncer se encontra em uma fase avançada, podem surgir infecções ou dor nos ossos”, acrescenta Morato, lembrando que os sintomas, quando manifestados, podem dificultar o diagnóstico da doença, pois são parecidos com a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP).
 
Por isso ele orienta que sejam feitos os exames de rotina como o toque retal e o PSA. “Durante o toque retal são sentidos ou apalpados alguns nódulos da próstata”, diz. Se necessário, segundo o médico, o paciente é submetido a uma ressonância magnética multiparamétrica da próstata para localizar a lesão e realizar a biópsia guiada por ultrassonografia. “Feito isso, nós estabelecemos o estágio da doença e já damos início ao tratamento.”
 
Em boa parte dos casos, o paciente alcança a cura com os tratamentos indicados. O especialista relata que a doença é tratada por meio de cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. “A cirurgia é feita com a remoção da próstata. Já a rádio é utilizada quando o tumor não atingiu outros órgãos ou quando atingiu só os mais próximos. A quimioterapia é feita com remédios injetados ou comprimidos.”
 
Apoio familiar
 
A manicure Lucimar Macedo viu a sua vida virar de cabeça para baixo há sete meses. Seu pai, José Macedo, 73, começou a sentir dores ao urinar. O incômodo ligou o sinal de alerta. O idoso não perdeu tempo e procurou o médico de confiança. Após os exames de rotina, o resultado foi o que toda a família temia: câncer de próstata.
 
Segundo Lucimar, a notícia abalou a família. “Estava tudo bem e, de repente, descobrimos um câncer. O diagnóstico não era o de uma gripe ou um mal-estar qualquer que passaria. Era uma doença séria que mexeu com o emocional de todos nós”, recorda a filha. Com o resultado em mãos, ela, a mãe e os irmãos se uniram para enfrentar, juntos, os dias difíceis que viriam pela frente.
 
Lucimar conta que procurou se informar sobre a doença e foi em busca de médicos e pessoas ligadas à área da saúde que pudessem tirar todas as dúvidas da família sobre as chances de cura. Para surpresa, e um pouco de alívio, o câncer de seu José estava no início e apenas a remoção da próstata seria suficiente para a cura.
 
O pai da manicure foi submetido à cirurgia no mês de outubro e o resultado foi altamente positivo. Até o momento, ele não precisou de radioterapia, nem de quimioterapia. Seu José é mais um entre tantos exemplos que demonstram que a descoberta precoce é fundamental para o sucesso do tratamento.

 

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