Comportamento

Outubro Rosa: atenção aos sinais do corpo é fundamental

Ao longo de sucessivas edições, Ludovica tem contado histórias inspiradoras de mulheres fortes, desprovidas de preconceitos e imbuídas de uma força vital canalizada para a felicidade e o amor ao próximo. Muitas mulheres encararam essa realidade de peito aberto e seguem firmes na luta por uma vida melhor e mais saudável.
 
Doença silenciosa
 
Enquanto aproveitava momentos de lazer em meio à natureza, a servidora pública Cristina Logo, à época com 50 anos, detectou um nódulo na mama direita. O final de semana na fazenda era o aquecimento para o início da temporada no rio Araguaia, para onde ela e a família iriam, numa viagem preparada com ansiedade. Ao comentar com as filhas sobre a descoberta do nódulo, todos os planos de viagem foram alterados.
 
Da consulta médica à biópsia passaram-se apenas cinco dias. O fator maligno do nódulo foi detectado e a levou diretamente para um centro cirúrgico. “Minha vida mudou completamente. Ouvir aquele diagnóstico e encarar uma realidade nunca imaginada antes foi algo muito difícil de administrar. A impressão que se tem é que um caminhão simplesmente passou por cima de você. Não tenho palavras para explicar”, expressa.
 
Casada, mãe de duas filhas e avó de duas meninas, Cristina descobriu em si uma força que até então desconhecia. Passado o choque inicial, ela adotou uma postura de autoconfiança, sempre reforçada pela fé. Ia aos exames sozinha, fez 30 sessões de radioterapia, seguiu à risca o tratamento pós-operatório, tomando a medicação indicada, e recuperou a postura de alicerce emocional da família, não permitindo que o clã sucumbisse ao medo de perdê-la.
 
“Aprendi com o câncer a não ter medo de mais nada. A pessoa tem que acreditar na cura, tem que dizer para si e para o seu corpo que ele está se regenerando. Eu dizia pra mim todos os dias que eu ia vencer. Essa postura, minha família e minha fé foram o meu combustível nesse momento tão delicado”, reflete a matriarca.
 
Dez anos depois, durante uma das consultas de acompanhamento a que era submetida a cada seis meses, veio um novo baque: a detecção de um segundo nódulo, dessa vez na mama esquerda. A biópsia mostrou ser benigno, mas, por precaução e pela experiência anterior, a médica optou pela retirada e constatou que uma pequena pontinha dele aparentava ser maligna. Novamente Cristina foi submetida a mais 30 sessões de radioterapia e segue até hoje com as consultas de acompanhamento periódico.
 
Nesse processo de encarar frente a frente uma doença tão preocupante, Cristina se fortaleceu ainda mais e fez da sua batalha pessoal uma bandeira de conscientização junto às mulheres da família, que já aprenderam a se observar com mais carinho, a se cuidar e a fazer desde cedo a mamografia, antes mesmo dos 40 anos.
 
“O câncer é uma doença silenciosa no início. Não causa dor, não dá indícios de que algo ruim está acontecendo. Consegui vencer minha batalha contra ele duas vezes porque os nódulos foram detectados no começo, sem que houvesse maiores comprometimentos. É muito importante que toda mulher tenha esse cuidado, que se examine e se previna”, orienta.
 
 

 

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