Comportamento

Quebrando padrões

João Augusto
Jane Borges é modelo e já foi Miss Goiás

 

Uma mulher linda, encorpada e com celulites ou com estrias... Viver fora dos padrões de beleza tem ganhado cada vez mais força, mas ainda há aquela parcela de pessoas que se sentem pressionadas pelos corpos expostos na mídia, milimetricamente esculpidos. E então, o que é realmente bonito para você? Qual o tipo de corpo que poderia ser o seu?
 
Estabelecer o padrão ideal de beleza, por vezes, é uma tortura. E também por isso, muitas mulheres ainda se sentem excluídas e com sentimento de frustração. Mas o “padrão ideal” já não é mais tão rígido como antes, o que abre portas para o reconhecimento da beleza em diversos tipos físicos.
 
“Gostar e admirar a si mesmo está acima de qualquer padrão. Existe pessoas que priorizam a saúde e o bem estar, com os pés no chão, sem se deixar levar pela moda”, diz o nutrólogo Reynaldo Pedrosa, ressaltando, ainda, que o esclarecimento é muito importante para que prevaleça uma postura mais realista das pessoas. “Cuidar da aparência eleva, sim, a autoestima. Mas não podemos viver em função dela, senão vira escravidão”, defende.
 
Beleza curvy
 
A modelo Jane Borges (34) se encontrou novamente na profissão após pular do manequim 36 para o 44. Ela, que foi Miss Goiás em 2004, viu a vida e a carreira mudarem após a descoberta de uma doença autoimune. “Na época eu cheguei a pesar 100kg”, recorda.
 
Apesar da falta de expectativa, com o aumento de peso começaram a surgir novas propostas para trabalhos como modelo. Jane conta que no início se sentiu insegura, mas que, aos poucos, começou a aceitar os convites e tudo foi se transformando. “Na maioria das vezes o nosso pior inimigo é a gente mesmo e não a opinião dos outros”, acredita a goiana, que estrelou o editorial de beleza desta edição.
 
A aceitação foi tão positiva, que Jane conseguiu romper barreias e fez seu primeiro desfile de moda praia após a mudança no corpo. “Há muito tempo não me sentia bem em um maiô ou biquíni. Quando eu entrei na passarela e vi as pessoas batendo palmas e gritando ‘maravilhosa’, percebi que elas se identificavam comigo. Essas pessoas viram em mim o que, talvez, quisessem aceitar nelas, que é aquela dobrinha nas costas, um quadril maior, braços mais cheinhos”, relata.
 
Viva a diferença
 
A endocrinologista Marília Diniz avalia que para a mulher se sentir bem com seu corpo deve iniciar o processo cultivando o amor próprio. Para ela, corpo e mente são totalmente interligados. Sendo assim, quando estamos bem é mais fácil nos aceitar, e isso inclui aceitar o próprio corpo. “Precisamos nos enxergar como uma pessoa única e não como um modelo imposto por alguém e que deve ser seguido por todos”, diz.
 
A médica acrescenta que quando uma mulher se sente bem com ela mesma tudo ao redor conspira a favor. “O empoderamento feminino passa a sensação de tranquilidade e segurança para as pessoas que convivem com ela. A consequência disso é que a sociedade passa a enxergá-la melhor”.
 
Segundo a psicóloga clínica e facilitadora de círculo psicoterapêutico de mulheres, Maria Lúcia Oliveira, já é possível observar a busca pelo corpo forte e bem definido. Ela explica que são mulheres que veem em seus corpos a expressão de sua força e têm em si o próprio espelho.
 
Para a especialista, isso é maravilhoso, mas são grupos específicos de pessoas que alcançaram um nível de consciência em relação ao tipo corporal que possuem e tentam melhorá-lo de maneira mais natural. “São pessoas que buscam um caminho mais saudável, não com uma dieta rigorosa a ser seguida, mas com a escolha de um estilo vida”, avalia.
 
A profissional pondera, ainda, que não há uma receita única para a felicidade, assim como não existe um único padrão de beleza. “Reconhecer a estrutura do corpo é aceitar a beleza que lhe é única. O ser humano deve pensar em cuidar da saúde como um todo, tanto física como psicológica, além de ter a autonomia de fazer suas próprias escolhas, pois isso faz parte do processo de estar no mundo, de ser e existir”, completa Maria Lúcia.

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