Comportamento

Saiba tudo sobre o uso da toxina botulínica no estrabismo

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Todo mundo já ouviu falar na toxina botulínica ou, pelo menos, da marca mais famosa dessa substância, o famoso Botox. O que poucas pessoas sabem é que o primeiro uso terapêutico da toxina botulínica foi para tratar o estrabismo, desvio dos músculos oculares que leva ao desalinhamento dos olhos. O responsável pela introdução da substância para o tratamento não cirúrgico do estrabismo foi o oftalmologista norte-americano Alan B. Scott. Isso aconteceu na década de 1970. 

Ao aplicar a toxina botulínica em pacientes estrábicos, ele notou que os músculos relaxavam, corrigindo o desvio. E assim o uso terapêutico foi aprovado pelo órgão que regulamenta os medicamentos nos Estados Unidos. A toxina botulínica bloqueia a liberação de um neurotransmissor chamado acetilcolina, responsável pela junção neuromuscular. É essa substância que manda o impulso elétrico do cérebro para os músculos se contraírem. Ao injetar a toxina, esse mecanismo fica bloqueado.

Mas ao longo dos anos, as evidências científicas foram mostrando que a toxina botulínica não trata todos os tipos de estrabismo. Segundo a oftalmopediatra Marcela Barreira, do Banco de Olhos de Sorocaba, hoje a aplicação da toxina é mais indicada para estrabismos de pequeno ângulo, para crianças com paralisia cerebral e em casos da doença de Graves, quando há um quadro ativo de inflamação orbitária. “Após uma ampla revisão da literatura, o que temos de mais novo é a associação da toxina botulínica com a bupivacaína, um anestésico que ajuda no fortalecimento do músculo e tem apresentado bons resultados”, diz a especialista.

Embora a toxina botulínica possa até ser usada em todos os tipos de estrabismo, os estudos mostram que para alguns desvios a resposta não é satisfatória. “Quando falamos de estrabismo em uma criança, precisamos pensar nos procedimentos que serão necessários para aplicar a toxina, como, por exemplo, anestesia geral. Normalmente, os casos que não respondem bem vão precisar de várias aplicações. Então, serão várias anestesias gerais”, explica. 

Para o estrabismo de grande ângulo, o ideal é optar pela cirurgia. Além de ter um melhor resultado, apresenta mais segurança, já que a criança será anestesiada apenas uma vez. Outro ponto é que a aplicação da toxina não exclui a necessidade de fazer uma cirurgia mais tarde.

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