Comportamento

Sol, um vilão vital

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Para o agricultor Ailton Gasparini, 66, os sinais de alerta foram a descendência europeia, a pele muito branca e um caso de câncer de pele na família. Ele se consultava frequentemente com uma dermatologista, porém, o principal foi deixado de lado: seguir as recomendações médicas para evitar a doença. E esse pequeno detalhe fez com que Ailton fizesse parte das estatísticas: 165.580 pessoas devem ser acometidas pela doença em 2018, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA). A novidade neste ano é a previsão de que o câncer de pele atinja mais homens (85.170) do que mulheres (80.410).

Assim, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) realiza a quinta edição da campanha #DezembroLaranja, iniciativa apoiada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). Neste ano, a sociedade está comprometida em reduzir a incidência da doença por meio da conscientização pública dando continuidade ao tema “Se exponha, mas não se queime”.

As mensagens estão sendo divulgadas nos canais de comunicação da entidade, sobretudo em mídias como Facebook e Instagram, com orientações gerais sobre o câncer de pele, tipo mais frequente da doença no Brasil e que corresponde a 30% de todos os tumores malignos, mas é também um dos mais evitáveis e de mais baixa mortalidade. Por isso, o objetivo é alertar a população sobre prevenção, diagnóstico e acesso ao tratamento.

Prevenção é fundamental

Ailton é produtor de pitaya em uma propriedade em Hidrolândia e seu  trabalho exige longos períodos de exposição ao sol por causa do plantio e da manutenção, mas cuidados como o uso de chapéu e protetor solar não faziam parte da sua rotina. “Minha avó materna teve alguns cânceres benignos que foram retirados, e um maligno, que a levou à morte. Por causa disso, sempre procurei ter a prevenção médica, mas não seguia o que era recomendado. Sempre temos aquela tese de que ‘não vai acontecer comigo’, até o dia em que a médica identificou em mim o câncer de pele. Até saber o resultado da biópsia não tem como ficar tranquilo. Tentei encarar com naturalidade e fiquei na torcida para que fosse benigno”, recorda o paciente que atualmente utiliza chapéu, filtro solar e camisa de mangas longas com proteção UV (ultra violeta), além de passar por consultas preventivas a cada seis meses.

Segundo a dermatologista Lana Bezerra, o câncer de pele varia muito na aparência. “Por isso, como regra geral, é importante procurar um dermatologista sempre que notar uma nova lesão ou quando uma lesão antiga tiver algum tipo de modificação. Existe uma regra didática para os pacientes, chamada ABCDE, cujo objetivo é reconhecer um câncer de pele em seu estágio inicial. As iniciais são de Assimetria, Bordas, Cor, Diâmetro e Evolução”, explica a médica.

Cuidado redobrado

Louise Martin, 29, também teve experiências com o câncer de pele na família e, aos 24 anos, percebeu uma pequena ferida no colo que não cicatrizava. Foi no consultório médico que descobriu o tumor e que, por sorte, era um caso simples. Neste ano, outros dois surgiram, no pescoço e no ombro. “Foram casos mais comuns, mas é preciso cuidar. Sou muito branca e tomei muito sol na adolescência, tenho muitas sardas, então sempre fico alerta para ir ao dermatologista, fazer avaliação e não ter uma surpresa maior. Evito ao máximo o sol, sempre passo protetor solar e hoje evito tudo que possa prejudicar minha pele”, afirma Louise.

Para a médica Ana Carolina Miranda de Castro, a prevenção deve ser feita através da conscientização do uso de filtro solar durante todo o ano, e não apenas no verão, pois Goiás recebe alta incidência de raios solares UV, causadores do câncer de pele. “Os sinais são iguais em homens e mulheres, porém, habitualmente, as mulheres são mais cuidadosas com a prevenção e procuram o médico mais precocemente. O tipo mais comum da doença, que é o Carcinoma Basocelular, tem taxa de reincidência importante, ou seja, se você já teve um câncer de pele, tem que ter redobrar o cuidado e visitar seu médico com mais frequência”, ressalta a dermatologista.

Incidência

O câncer de pele é mais comum em pessoas acima dos 40 anos, com pele clara e sensíveis à ação dos raios solares ou com doenças cutâneas prévias. A incidência em peles negras e em crianças é menor, com exceção daqueles que já são portadores de doenças cutâneas anteriores. “Nossa derme (camada intermediária da pele) tem memória e isso significa que todos os danos causados por queimaduras são cumulativos. Os últimos estudos médicos sobre a incidência do câncer de pele apontam que ter sofrido mais de três queimaduras solares na mesma área aumenta o risco de sofrer câncer de pele”, completa Lana Bezerra.

Regra do ABCDE

Para facilitar a identificação de lesões suspeitas, os dermatologistas criaram uma metodologia baseada nas letras do alfabeto. Veja:

– Assimetria: quanto mais assimétrica uma mancha ou pinta, maior o risco.
– Bordas: bordas irregulares também são sinais de perigo.
– Cor: pintas com mais de uma cor e com tons pretos podem ser melanoma.
– Diâmetro: lesões com mais de 5 milímetros merecem mais atenção.
– Evolução: mudanças na cor, forma ou tamanho devem ser investigadas.
 

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