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Meu próprio negócio

@agenciayouka


O mercado de franquias no Brasil segue aquecido. É o que afirma a Associação Brasileira de Franchising (ABF) que, recentemente, divulgou dados do segmento. De acordo com a entidade, o crescimento foi de 6,3% no terceiro trimestre de 2018 em relação ao mesmo período de 2017. Os números também mostram que o faturamento desse período saltou de R$41,850 bilhões para R$44,749 bilhões.
 
O levantamento da ABF aponta, ainda, que o setor de Entretenimento e lazer foi que o mais teve alta, com um crescimento de 25,2%, seguido de Serviços e outros negócios, que ocupou a segunda colocação e teve um incremento de 10,3%. Fechando o ranking das franquias que mais cresceram no terceiro trimestre de 2018 está Saúde, beleza e bem-estar, que aumentou 9,7%.
 
Investimento

 
Abrir uma franquia pode ser bom negócio para quem deseja investir e obter retorno, já que na maioria das vezes as marcas são bastante conhecidas, mas o cuidado é fundamental. Para Alexandre Souza, que atua na área de franquias e é especialista em Gestão da Produção, é preciso ter em mente que quando fechamos um negócio dessa natureza, acabamos por assinar um contrato que pode exigir exclusividade, políticas de preços e processos de produção e venda.
 
O especialista orienta que é importante conhecer a reputação do franqueador no mercado, fazer pesquisas, conversar com quem já é franqueado daquela empresa, analisar qual a concorrência no ramo e, principalmente, a saturação daquele segmento. “Em Goiânia, por exemplo, vimos franquias que eram apenas modismo e que com o passar do tempo foram esquecidas”, lembra.
 
Na hora de fechar o negócio, todo franqueador, por lei, deve entregar a Circular de Oferta de Franquia (COF), que explica como será operacionalizada toda a parceria, os direitos e deveres de cada um. Alexandre destaca que é importante iniciar a parceria com esse documento em mãos. “Ao receber a COF, o franqueado deverá analisar alguns itens, tais como as taxas de royalties, que podem ser cobradas por faturamento ou a custo fixo, a previsão de venda e se o lucro será superior aos custos”.
 
Marca registrada
 
O empreendedor também pode criar a própria marca ou rede de franquias. Essa estratégia depende de conhecimento, informações, cursos e treinamento. E esse é o caso da empresária goiana Elaine Moura que criou, em 2014, a Accontece Pipocas Gourmet. A empresa virou marca: PopCorn Gourmet é, atualmente, a maior franquia de pipocas do Brasil.
 
Elaine, que também é chef de cozinha, conta que a ideia surgiu inicialmente apenas para dar uma incrementada em seu bufê. “Eu queria ter um prato autoral e comecei a pesquisar sobre pipocas. Decidi que faria do meu jeito e com inspirações das minhas referências e viagens pelo mundo”, recorda.
 
A primeira pipoca que estourou no mercado foi a Lemon Pepper. Em seguida, outros sabores foram desenvolvidos e logo caíram no gosto do público, como as de caramelo com flor de sal, chocolate, coco, entre outras. A pipoca agradou tanto que, em 2016, a expansão foi necessária devido ao crescimento da marca e o sucesso da pipoca gourmet acabou se transformando em franquias.
 
De Goiânia para o mundo
 
Atualmente, a PopCorn Gourmet possui 40 lojas espalhadas pelo Brasil. A empresa está em expansão e deve chegar a 60 franquias neste semestre, mas a meta é chegar a 100 até o final do ano. “Essa expansão nos trará automatização em alguns processos. Estamos fazendo isso gradativamente para que não percamos nossas características de produção artesanal, livre de corantes, conservantes e com sabores exclusivos”, detalha Elaine.
 
E já foi aberta uma fábrica nos Estados Unidos, com a inauguração do primeiro quiosque em Orlando, em um dos shoppings mais importantes da Flórida. Em breve, a empresária também deve abrir uma loja em Miami. E as novidades não param: a linha de embalagens e sabores está sendo ampliada.
 
O sucesso do negócio foi tão grande, que Elaine precisou mudar radicalmente a rotina para conseguir atender todos os franqueados. Mãe de uma adolescente de 15 anos, ela costuma dizer que “mora na estrada”, pois fica em Goiânia de sete a dez dias por mês e nos demais está sempre viajando para cuidar de tudo e de perto. “Procuro priorizar os finais de semana em Goiânia para ficar com a minha família”, finaliza a empresária. 

 

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