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Planeje e invista

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Ampliação do patrimônio, investimentos, organização das finanças, educação dos filhos, compra de imóveis, planos de aposentadoria, sucessão... Para tudo isso e tantas outras situações, ter a orientação de um consultor financeiro faz toda diferença. É o que explica o administrador Daniel de Paula, gestor de patrimônios e membro da Associação de Planejadores Financeiros Planejar.

O que fazer para ter um feliz 2019 no âmbito financeiro?

Antes de tudo é preciso poupar e planejar. É fundamental buscar um equilíbrio no estilo de vida que gere poupança. Os juros cobrados pelos bancos e pelas operadoras de cartão de crédito são muito altos. Então, para as pessoas que já adquiriram o hábito de poupar, sugiro que procurem um profissional certificado e façam um planejamento financeiro customizado, levando em conta o contexto pessoal.

O que seria esse contexto pessoal?

O planejamento financeiro leva em consideração as receitas e o orçamentos mensais que cada pessoa possui, além do objetivo e prazo estabelecido para alcançar essa meta. O prazo varia de acordo com o que se deseja, como poupar para comprar uma casa na praia em 20 anos ou contribuir mensalmente hoje para ter a renda desejada na aposentadoria, por exemplo. É importante estabelecer premissas realistas para os juros nominais e inflação a longo prazo, que devem ser considerados nesse planejamento de forma a manter um alto grau de assertividade. Com isso é possível definir metas e estabelecer uma disciplina para alcançá-las. Outra vantagem desse exercício é que ele pode ajudar a entender que tipo de risco você deverá correr para alcançar seu objetivo.

Muitas pessoas deixam de investir por medo ou desconhecimento dos riscos?

Sim, é verdade. Mas atualmente, ao preencher o kit de abertura de contas, os investidores respondem um questionário baseado em expectativa de rentabilidade, previsibilidade, comportamentos em situações extremas e necessidade de liquidez, que ajuda a identificar o perfil de risco: conservador, moderado, balanceado, arrojado e agressivo. Cada um deles tem uma alocação de ativos estrutural definida. Para conhecer os riscos dos investimentos, as pessoas devem solicitar ao assessor financeiro informações dos ativos que estão comprando e quais os principais riscos envolvidos na operação. 

Para o investidor conservador, que só investe em cadernetas de poupança, é possível executar um planejamento financeiro?

Sim, é possível. As cadernetas de poupança oferecem uma rentabilidade muito baixa para seus investidores, atualmente em torno de 4,5% ao ano. Por isso, muitas pessoas estão procurando práticas modernas de gestão de investimento para melhorar a rentabilidade de seus ativos. Em tempos de juros baixos, o modelo de assessoria de investimentos tradicional praticado pelos bancos comerciais é pouco atraente e as pessoas tendem a procurar alternativas, que vão de encontro a tais práticas.  

Quais seriam as principais diferenças entre esses modelos?

O modelo tradicional se baseia na atuação dos bancos comerciais, que cobram taxas elevadas, priorizam os produtos próprios e não são especialistas em investimentos. Além disso, seus gerentes possuem metas de vendas de produtos, cuidam de muitos clientes ao mesmo tempo e gastam horas em funções operacionais, o que influencia diretamente na consultoria para que os clientes invistam melhor.  Já ao olharmos para as plataformas abertas e seus agentes autônomos de investimentos, temos um cenário completamente diferente. Esses profissionais, que são especialistas e independentes, podem oferecer aos clientes todos os produtos disponíveis do sistema financeiro, sem taxas de manutenção e alinhados aos objetivos de cada investidor. Por fim, esses profissionais ainda são medidos por métricas de qualidade NPS (Net Promoter Score).

Isso sugere que uma grande mudança na indústria de investimentos no brasil está por vir?

Essa transformação está acontecendo, mas ainda há um grande caminho pela frente. No Brasil, são R$ 5,5 trilhões dentro do sistema financeiro, dos quais R$ 5,2 trilhões estão dentro dos bancos comerciais. Enquanto por aqui 95% dos investimentos estão sendo geridos pelos bancos comerciais, nos Estados Unidos 90% deles estão nas empresas independentes de investimentos. Esse cenário mostra que a maioria dos brasileiros ainda não considera outras formas de investir que estejam fora do ambiente tradicional, ou seja, os bancos comerciais. Esse é um modelo que precisa ser revisto. Por outro lado, há muitos gerentes de banco que estão abandonando suas carreiras nas instituições financeiras e sendo atraídos para o novo modelo de gestão de investimentos. Isso acontece em função da plataforma aberta e independente de produtos e serviços, autonomia, isenção de conflitos e transparência.

O que é melhor: investir no mercado financeiro ou no imobiliário?

O mercado imobiliário não teve uma boa performance nos últimos anos em função da recessão, do endividamento das famílias e do desemprego. Além disso, existe uma barreira de entrada para participar desse mercado em função do preço dos imóveis. Algo que não acontece no mercado financeiro, pois não há um valor mínimo para as pessoas começarem a investir. No entanto, sem dúvida, existem excelentes alternativas de investimento nesse mercado. Em modelos de gestão de patrimônio mais robustos admite-se um percentual para imóveis, aplicações financeiras, participações e quotas, seguros, previdência e investimento no exterior.

Muitas pessoas se preocupam mais com a gestão de patrimônio. O que mais pode ser dito sobre esse tema?

Aqui falamos de planejamento financeiro, mas temos outras formas de planejamento que se conectam à gestão de patrimônio, como o planejamento sucessório, tributário e o patrimonial, que ajudam a definir uma governança familiar, escolher veículos de investimentos adequados (holdings, fundos exclusivos ou de participações) e economias fiscais em função do diferimento ou isenção de impostos. É uma indústria dinâmica, que está sempre em movimento. Por experiência, os investidores que tem horizontes de investimento de longo prazo e que se esforçam para conhecer os serviços e produtos que a indústria de investimentos oferece são os que conseguem o maior êxito na rentabilidade de investimentos.

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