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Casamento feliz? Sim, eu aceito!

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Quando um casal decide se unir em matrimônio, muitas vezes não se dá conta de que isso significa dividir o mesmo teto e colocar à vista aquele lado que pode ter ficado escondido nos tempos de namoro. Isso porque ambos trazem consigo afinidades e incompatibilidades só percebidas na convivência diária. Não existe receita para uma relação dar certo. Mas, não duvide, comportamentos inofensivos podem gerar aborrecimentos suficientes para distanciar o casal e até levar ao divórcio.

Deixar a tampa do creme dental sempre fora do lugar, a toalha molhada sobre o edredom, as louças acumuladas na pia ou não ser honesto sobre dinheiro são atitudes que podem render discussões. A boa notícia: é possível driblar as diferenças e manter um relacionamento harmonioso com uma certa dose de paciência, compreensão, sabedoria e diálogo. A maioria sabe disso, mas às vezes já é tarde quando coloca a teoria em prática.

Para a psicóloga, sexóloga e terapeuta de casais Dalva de Jesus Cutrim Machado, todo relacionamento, por melhor que pareça, precisa ter algumas arestas aparadas. “As diferenças são inevitáveis e a tolerância para compreender as falhas do outro é imprescindível. Chantagem, reclamações, insistências e um comportamento inflexível não trarão benefício algum. Tenha atitudes coerentes e assertivas”, aconselha.

Responsabilidades

Entre as dicas da especialista para começar bem a vida a dois estão a amizade com os familiares e o diálogo franco entre o casal antes do casamento. Por exemplo, é preciso conversar sobre questões financeiras e domésticas. “Seu futuro cônjuge precisa saber como está sua vida financeira, para que ambos possam traçar um orçamento que melhor se ajuste à nova realidade”, afirma. Defina quais serão os gastos, desde o pagamento do aluguel ou financiamento até as compras de supermercado, porque presume-se que todos os projetos são responsabilidade dos dois.

Foi o que fez a pedagoga Giselly Adriane da Silva, 31, casada com o policial civil Henrique Cristiano da Silva, 37. Após 13 anos de namoro, a moça acredita conhecer bem o amado, e assegura que tiveram essa conversa antes da hora do sim. “Temos definido quais despesas cabem a cada um”, conta Giselly. Uma conversa preliminar sobre os afazeres do dia a dia entrou na pauta. Conforme a psicóloga, o papo ajuda a identificar o que cada um gosta ou tem facilidade de fazer, sozinho ou em conjunto, e quando serão realizadas as atividades. 

Segundo Dalva, as famílias dão informações importantes sobre o comportamento do noivo ou da noiva, aumentando a compreensão sobre os motivos das atitudes de cada um. “Ter um relacionamento saudável com as famílias é um fator importante para os casais que desejam viver uma história duradoura e harmoniosa”, alerta a psicóloga.

Preparação antecipada ajuda o casal

“Durante o namoro, já ‘pegávamos no pé’ um do outro sobre detalhes como deixar as portas do guarda-roupas abertas, esquecer de apagar as luzes e gastar tempo excessivo em conversas no celular”, lembra Fábio Henrique Cirino Silva, 34, consultor de Tecnologia em Informação, casado com a médica endocrinologista Mayara Couto Sardinha Silva, 30. 

Perto do aniversário de um ano de casados, vivem, conforme eles mesmos, um momento especial, plantado nos tempos de namoro. Após o casamento, se depararam com outros desafios, como a diferença de horário para dormir. Os dois se esforçaram para superar o que chamam de ‘defeitos’. “Aprendemos que com diálogo e boa vontade é possível melhorar os aspectos que nos chateavam, e com isso temos conseguido nos adaptar tranquilamente”, garante Fábio.

Sobre as questões financeiras, Mayara lembra que as conversas começaram durante o noivado. “Concordamos que deveríamos dividir igualmente todas as contas da casa para não sobrecarregar nenhum dos dois. Acreditamos que esta questão é importante e deve ser abordada da melhor forma, levando em consideração a renda profissional de cada um”, diz. Sobre a rotina doméstica, o casal destaca que a divisão das tarefas foi fluindo naturalmente após o casamento. “Combinamos apenas que seríamos mais organizados e cuidadosos do que na casa de nossos pais.”

"O melhor é fazer como no começo"

PhD em filosofia pela Universidade Sorbonne e em educação pela Universidade Paris VII, na França, o master coach e instrutor da Organização Condor Blanco Internacional, Osvaldo Casonato Aragol, também é especialista em terapia humanista e transpessoal. 
Ele reforça a importância da adaptação entre as pessoas durante o relacionamento. “Se vemos o outro e nós mesmos como seres com uma profundidade absoluta, sempre existem aspectos que não conhecemos e que vamos aprofundando no dia a dia”, diz. Então, em resumo, se estamos em constante transformação, incessantemente buscamos driblar as diferenças. 

Fundamental neste contexto é existir uma aceitação de nós mesmos para melhor receptividade do outro, pois tudo é uma projeção, conforme Consonato. “A partir do conceito de projeção, considerado a base de tudo, é fácil aceitar no outro e em mim nossa parte linda, mas não tão fácil aceitar as partes menos nobres do outro e, portanto, as minhas”, detalha o filósofo. Como fazer isso? “Essencial ter os mesmos sonhos de vida, conversar largamente sobre os objetivos comuns aos dois, pois se esses existem, as diferenças podem ser amenizadas. E saber que estão juntos por um propósito maior”, sugere. 

Para ele, o casal deve dar atenção especial às finanças, mais até que à matéria doméstica.  “Pesquisas apontam ser o assunto que mais traz estresse aos casais. E isso não significa ter ou não ter dinheiro, mas tem a ver com a forma como cada um usa o dinheiro. Por exemplo: um tem um modelo mais de poupança e o outro de gastos excessivos, o que pode gerar grandes conflitos e até resultar no fim do relacionamento.”

Romantismo

O sentimento que existe no início não deve ser suprimido ao longo do casamento. É importante manter a fase de namoro mesmo que de maneiras diferentes. Afinal, ainda que nossas experiências mudem nossa visão do outro, é importante se lembrar do que há de bom no parceiro. “Se no começo o marido dava flores à esposa, dizia que a amava e lhe fazia carinho, significa que ele entrava pelos três canais: visual, auditivo e cinestésico. Depois da conquista, geralmente, ficamos no nosso canal e esquecemos o do outro. Por exemplo: se minha esposa é mais auditiva e eu mais visual, não adianta começar a dar flores porque ela prefere ouvir ‘eu te amo’, então, o melhor é fazer como no começo”, conclui.

Evite ir do céu ao inferno 

É possível manter a boa convivência no casamento com algumas atitudes simples

Comece o dia com um beijo;
 
Lembre-se sempre de que vocês não são iguais e nunca serão;

Trace uma dinâmica sobre as despesas e os afazeres domésticos;

Dialogue, especialmente se há diferenças. Xô, cara feia!

Jamais grite. Isso não faz parte da boa convivência;

Nunca se esqueça de dizer ‘eu te amo’. Surpreendam-se!

Se necessário, peça desculpas;

Respeite os parentes e os amigos do outro;

Tenha um tempo para vocês dois, mas cultive também a privacidade;

Seja apoio do outro quando o assunto é o trabalho ou a carreira;

Ande na mesma direção que seu parceiro;

Termine o dia com um beijo.

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